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Resumo curto
Deserto do Saara, presumivelmente anos 1930. Um piloto sofreu uma pane no avião e ficou sozinho, a mil milhas de qualquer lugar habitado.
Ao amanhecer, um menino misterioso pediu que ele desenhasse um carneiro. O piloto desenhou uma caixa, e o menino ficou feliz.
Aos poucos, o piloto soube que o menino vinha de um asteroide minúsculo, onde arrancava brotos de baobá e cuidava de uma rosa.
Magoado com os caprichos da rosa, o pequeno príncipe partiu e visitou planetas de adultos estranhos: um rei, um vaidoso, um beberrão, um homem de negócios, um acendedor de postes e um geógrafo. Na Terra, viu um jardim com cinco mil rosas iguais à sua e chorou. Uma raposa pediu que ele a cativasse e, na despedida, revelou:
Eis o meu segredo. É muito simples: só enxergamos com o coração. O essencial é invisível para os olhos... Foi o tempo que você passou com a sua rosa que fez sua rosa tão importante.
No oitavo dia, sem água, os dois acharam um poço. O menino combinou com uma serpente venenosa que ela o picaria no aniversário de sua queda na Terra, para voltar à sua rosa. À noite, ele foi picado e caiu na areia. De manhã, seu corpo havia sumido. Seis anos depois, o piloto olhava as estrelas e se perguntava se o carneiro teria comido a flor.
Resumo detalhado por capítulos
Os títulos dos capítulos são editoriais. A dedicatória inicial não faz parte da estrutura do resumo.
Capítulo 1. Os desenhos do narrador e a incompreensão dos adultos
O narrador, que se tornara piloto, recordou sua infância.
Aos seis anos, desenhara uma jiboia com um elefante dentro. Os adultos viram um chapéu e o mandaram estudar, não pintar. Ele explicou por que abandonara os desenhos:
O insucesso do meu desenho número 1 e do meu desenho número 2 me desanimou. Adultos nunca entendem nada sozinhos e é cansativo, para as crianças, ficar o tempo todo explicando tudo.
Capítulo 2. A pane no deserto e o encontro com o pequeno príncipe
Uma pane deixara o piloto sozinho no Saara, com água para uma semana. Ao amanhecer, depois de dormir na areia, ele fora acordado pelo pequeno príncipe.
O menino pediu um desenho de carneiro, sem parecer perdido, cansado ou assustado. O piloto desenhou sua antiga jiboia, mas ele reconheceu o elefante e recusou ambos, pois sua casa era minúscula. Também rejeitou três carneiros: um parecia doente, outro tinha chifres e o último era velho demais. Com pressa de consertar o motor, o piloto desenhou uma caixa e disse que o carneiro estava dentro. O menino ficou satisfeito, perguntou pelo capim necessário e imaginou o animal dormindo.
Capítulo 3. As origens misteriosas do pequeno príncipe
O menino fazia perguntas, mas quase nunca respondia às do piloto. Ao conhecer o avião, perguntou de que planeta seu companheiro viera, dando pistas sobre a própria origem. Guardou o desenho como um tesouro. Quando o piloto ofereceu uma corda para prender o carneiro, achou a ideia absurda: seu mundo era tão pequeno que o animal não poderia ir longe, mesmo andando sempre em linha reta.
Capítulo 4. O asteroide B 612 e a mania dos adultos por números
O piloto concluiu que o planeta do menino era pouco maior que uma casa e provavelmente era o asteroide B 612. Um astrônomo turco o descobrira em 1909, mas só fora levado a sério em 1920, ao apresentar a descoberta com roupas europeias. O narrador explicou que os adultos valorizavam números e aparências: perguntavam pela idade, pelo peso ou pelo preço, não pelas qualidades de alguém ou de uma casa. Seis anos depois da partida do amigo, ele retomara o desenho para preservar sua lembrança. Admitiu que seus retratos poderiam conter erros, pois o menino raramente explicava os detalhes de sua vida.
Capítulo 5. O perigo dos baobás
No terceiro dia, o menino perguntou se carneiros comiam baobás ainda pequenos. Seu planeta estava cheio dessas sementes. Se não fossem arrancadas logo, as árvores cresceriam, ocupariam todo o espaço e poderiam romper o planeta com as raízes. Ele contou que um morador descuidado deixara crescer três arbustos e pediu um desenho para alertar as crianças. O piloto se dedicou à ilustração, lembrando a rotina que o amigo lhe descrevera:
É uma questão de disciplina... Quando termino minha higiene matinal, faço cuidadosamente a limpeza do planeta. Tenho que me virar para arrancar os baobás tão logo os distingo das roseiras...
Capítulo 6. Os quarenta e quatro pores do sol
O menino contou que bastava mover a cadeira para assistir a outro pôr do sol em seu planeta. Certa vez, vira quarenta e quatro. Disse que gostava dos poentes quando estava muito triste, mas não respondeu se naquele dia sentira tamanha tristeza.
Capítulo 7. A discussão sobre os espinhos das flores
No quinto dia, o menino soube que carneiros também comiam flores com espinhos. Preocupou-se com a flor que deixara em seu planeta, uma rosa que amava e considerava única no universo.
O piloto, ocupado com o motor e a falta de água, respondeu sem pensar. O menino o acusou de falar como os adultos e chorou ao imaginar sua flor devorada. O piloto largou as ferramentas, abraçou-o e prometeu desenhar uma focinheira. Antes, o menino explicara seu amor:
Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que fique feliz quando a contempla. Ele pensa: Ora, minha flor está ali em algum lugar...
Capítulo 8. A história da rosa vaidosa
A rosa nascera de uma semente desconhecida. O menino acompanhara seu crescimento e seus longos preparativos até que ela abrira as pétalas ao amanhecer. Encantado com sua beleza, passara a regá-la e atender aos seus pedidos. Ela se gabava dos quatro espinhos, dizia não temer tigres, mas exigia um biombo contra correntes de ar e uma redoma para as noites frias. Tentara falar de um lugar de origem que não conhecia, pois chegara como semente, e tossira para causar remorso quando sua mentira ficara evidente. O menino levara essas palavras a sério e se entristecera. Mais tarde, reconhecera que deveria ter observado seus atos: ela perfumava e iluminava seu planeta. Arrependera-se de ter fugido e admitira que era jovem demais para perceber a ternura escondida sob suas exigências e amá-la.
Capítulo 9. A partida do pequeno príncipe e a despedida da rosa
Antes de partir, provavelmente com aves migratórias, o menino limpou seus dois vulcões ativos e o extinto, arrancou os brotos de baobás e regou a rosa. Ao se despedir, ouviu dela um pedido de desculpas e uma declaração de amor. A flor recusou a redoma e disse que suportaria lagartas para conhecer borboletas. Desejou que ele fosse feliz e o mandou seguir viagem. Embora também tivesse vontade de chorar, não quis que ele visse suas lágrimas.
Capítulo 10. O rei do primeiro planeta
O menino começou a visitar seis asteroides próximos. No primeiro, um rei o recebeu como seu súdito.
O monarca ajustava suas ordens ao que podia ser cumprido e dizia governar tudo, inclusive as estrelas. Quando o visitante pediu um pôr do sol, respondeu que esperaria o horário favorável. Entediado, o menino quis partir. Para retê-lo, o rei ofereceu o cargo de ministro da justiça e sugeriu que julgasse a si mesmo ou um rato, sempre poupando o animal depois de condená-lo. O menino não quis condenar ninguém e pediu uma ordem razoável para ir embora. Como não houve resposta, partiu. O rei ainda o nomeou embaixador, enquanto ele pensava que os adultos eram muito estranhos.
Capítulo 11. O planeta do homem vaidoso
No segundo planeta, um vaidoso tomou o menino por seu admirador.
Pediu aplausos e elogios. Cansado de repetir a brincadeira, o menino foi embora.
Capítulo 12. O planeta do beberrão
No terceiro planeta, encontrou um beberrão cercado de garrafas. Ele explicou que bebia para esquecer a vergonha de beber. O menino quis consolá-lo, mas o homem se calou. Partiu triste e perplexo com aquela explicação que voltava ao começo.
Capítulo 13. O homem de negócios e a posse das estrelas
No quarto planeta, um homem de negócios fazia contas sem quase olhar para o visitante.
Ele dizia possuir mais de quinhentos milhões de estrelas porque fora o primeiro a pensar nisso. Contava-as para ser rico e comprar outras; registrava o total num papel guardado numa gaveta. O menino perguntou para que servia aquela posse. Explicou que regava sua flor e limpava seus três vulcões, sendo útil ao que possuía. Já o homem não fazia nada pelas estrelas. Sem receber resposta, partiu, achando aquele adulto tão estranho quanto os que conhecera antes.
Capítulo 14. O acendedor de postes
O quinto planeta era tão pequeno que só comportava um poste e seu acendedor, a quem o menino cumprimentou.
O planeta girava a cada minuto, obrigando o homem a acender e apagar a luz sem descanso, pois a norma não mudara. O menino sugeriu que andasse acompanhando o sol, mas ele queria dormir. Gostou daquele trabalhador por cuidar de algo além de si e desejou sua amizade. Não pôde ficar, porque não havia espaço para dois. Também lamentou deixar um lugar onde poderia ver mil quatrocentos e quarenta poentes por dia.
Capítulo 15. O geógrafo e o significado de efêmero
No sexto planeta, maior que os anteriores, um geógrafo escrevia grandes livros e o recebeu como explorador.
Ele não conhecia o próprio planeta: dependia de exploradores confiáveis e de provas. Pediu a descrição da terra do menino, mas recusou registrar a flor por ser efêmera. Ao explicar que isso significava estar ameaçada de morrer, fez o visitante lembrar sua rosa, deixada sozinha com apenas quatro espinhos. O menino sentiu saudade e preocupação. Perguntou aonde deveria ir e, seguindo o conselho recebido, partiu para a Terra.
Capítulo 16. A chegada ao planeta Terra
A Terra foi o sétimo planeta visitado. O narrador a apresentou com cerca de dois bilhões de adultos, entre reis, geógrafos, empresários, beberrões e vaidosos. Antes da eletricidade, centenas de milhares de acendedores se revezavam pelos continentes. Apenas os dois dos polos tinham pouco trabalho: acendiam e apagavam suas luzes duas vezes por ano.
Capítulo 17. O encontro com a serpente no deserto
O menino chegou ao deserto africano. Sem encontrar pessoas, perguntou a uma serpente onde havia caído.
Ela explicou que estavam na Terra e que também havia solidão entre os homens. O menino falou dos problemas com sua flor. Enrolada em seu tornozelo, a cobra disse que podia devolver quem tocava à terra de origem e ofereceu ajuda se a saudade apertasse.
Capítulo 18. A flor de três pétalas
No deserto, uma flor de três pétalas lhe falou de poucos homens vistos numa caravana. Disse que o vento os levava, pois não tinham raízes.
Capítulo 19. A montanha e o eco
Do alto de uma montanha, o menino viu apenas outros picos. Pediu amigos, mas ouviu seu eco. Pensou que os homens repetiam tudo, sem imaginação, e lembrou sua flor, que sempre falava primeiro.
Capítulo 20. O jardim das cinco mil rosas
Uma estrada o levou a um jardim com cinco mil rosas iguais à sua. Ela lhe dissera ser única no universo. O menino imaginou sua vergonha e perdeu a certeza de ser rico por possuí-la. Com uma rosa comum e três pequenos vulcões, não se julgou um príncipe importante. Deitou-se na relva e chorou.
Capítulo 21. A raposa e a lição sobre cativar
Uma raposa apareceu sob uma macieira, mas recusou brincar porque ainda não fora cativada.
Ela pediu paciência e encontros à mesma hora. O menino deveria sentar longe e aproximar-se aos poucos. Seus cabelos dourados fariam o trigo lembrar sua presença, trazendo alegria à vida monótona da raposa. Ela explicou que cativar significava criar laços:
Para mim, você ainda não passa de um garotinho igual a cem mil garotinhos... Porém, se você me cativar, precisaremos um do outro. Você será único no mundo para mim. Serei único no mundo para você...
Tornaram-se amigos. Na despedida, ela aceitou chorar, pois conservaria a lembrança no trigo. O menino voltou às rosas e reconheceu que a sua era única pelo cuidado e pelo tempo dedicado a ela. A raposa lhe ensinou que o essencial era invisível aos olhos e que ele continuava responsável pelo que cativara. Ele repetiu a responsabilidade por sua rosa.
Capítulo 22. O controlador da ferrovia e os passageiros apressados
Um controlador liberava trens cheios de passageiros que não sabiam o que procuravam. Só as crianças observavam pelas janelas. O menino disse que elas sabiam valorizar até uma boneca de pano.
Capítulo 23. O comerciante de comprimidos contra a sede
Um vendedor ofereceu comprimidos que poupavam 53 minutos por semana ao eliminar a sede. O menino preferiria caminhar até uma fonte.
Capítulo 24. A busca pelo poço no deserto
No oitavo dia da pane, a água acabou e o avião ainda não estava consertado. O menino propôs procurar um poço. Caminharam por horas até anoitecer. Ele falou da beleza das estrelas por esconderem uma flor e do deserto por esconder um poço. O piloto lembrou uma casa de infância encantada pela possibilidade de um tesouro enterrado e concordou que sua beleza vinha de algo invisível. Quando o menino adormeceu, levou-o no colo. Comovido com sua fragilidade e sua fidelidade à rosa, pensou que o corpo era apenas a parte visível de algo mais importante. Ao amanhecer, encontrou finalmente um poço.
Capítulo 25. A água do poço e a promessa da focinheira
O poço tinha corda, balde e roldana, embora não houvesse aldeia perto. O piloto puxou a água e a ofereceu ao menino. A caminhada, o som da roldana e o esforço tornavam aquela bebida especial. O menino disse que uma rosa ou um pouco de água poderiam oferecer o que tantos procuravam em vão. Depois pediu a focinheira prometida, pois era responsável pela flor. O piloto a desenhou. O menino revelou que no dia seguinte completaria um ano desde sua chegada à Terra, perto dali. O piloto suspeitou que ele voltara ao local por causa da data e ficou inquieto. O menino pediu que cuidasse do motor e prometeu esperá-lo.
Capítulo 26. A despedida: o retorno do pequeno príncipe ao seu planeta
Na noite seguinte, o piloto ouviu o menino combinar um encontro com a serpente e perguntar se seu veneno causaria sofrimento. A cobra fugiu ao vê-lo. O avião estava consertado, e o menino anunciou que também voltaria para casa. Explicou que não poderia levar seu corpo pesado e que sua queda pareceria uma morte. Pediu que o amigo não o acompanhasse, mas ele recusou abandoná-lo. Para consolá-lo, prometeu deixar sua risada nas estrelas:
Quando contemplar o céu à noite, uma vez que vou morar numa estrela e rir numa estrela, será para você como se todas elas rissem. Só você terá estrelas que sabem rir!
Mais tarde, o piloto o alcançou. O menino chorou, lembrou a rosa indefesa e deu um passo sozinho. A serpente mordeu seu tornozelo. Ele não gritou: ficou imóvel e caiu suavemente, sem ruído na areia.
Capítulo 27. Seis anos depois: o mistério do carneiro e da rosa
Seis anos depois, o piloto acreditava no regresso do amigo, pois seu corpo desaparecera. As estrelas lhe lembravam sinos, mas a focinheira sem correia o preocupava: o carneiro poderia ter comido a rosa. Alternava alegria e tristeza, sem saber. Pediu a quem passasse pelo deserto que esperasse sob a estrela e, se encontrasse um menino loiro que risse e não respondesse, lhe escrevesse.